TQUIO - O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, formalizou ontem uma parceria militar mais ativa com o Japo, que passar a partilhar com os EUA a responsabilidade pela defesa do Pacfico. De acordo com analistas polticos, o acordo pode abrir caminho para que o Japo participe no futuro de operaes militares no exterior (a Constituio do pas s permite que as Foras Armadas sejam usadas em defesa prpria). Clinton afirmou que os americanos vo continuar no Pacfico, ressaltando que a aliana entre Japo e EUA  uma pea chave para a paz na regio.

"A parceria de segurana  fundamental para manter a paz no Pacfico, especialmente nessa poca de profundas mudanas na regio", disse o presidente americano, durante uma entrevista  imprensa concedida ao lado do primeiro-ministro japons, Ryutaro Hashimoto. "O primeiro-ministro e eu concordamos firmemente em que, como duas das democracias mais fortes e economias mais importantes do mundo, Japo e Estados Unidos tm uma responsabilidade especial de liderana", acrescentou Clinton.

Soldados - O acordo entre os dois pases prev a permanncia da fora americana na sia - 100 mil soldados, dos quais 47 mil esto no Japo. Os dois pases tero maior cooperao em reas como inteligncia e transferncia de tecnologia militar - esto previstos o desenvolvimento de novas armas, como os avies F-2, e o estudo de um novo sistema de defesa de msseis. Alm disso, Japo e Estados Unidos se comprometem a fornecer munio e servios em tempos de paz. Para que possa honrar este ltimo compromisso, o Japo far uma exceo  proibio de exportar armas e componentes blicos, adotada em 1967.

Uma outra declarao, assinada separadamente, amplia a cooperao em temas globais, incluindo o combate  falta de alimentos, ao terrorismo, a doenas infecciosas e a desastres naturais.

Para analistas polticos, o acordo firmado ontem muda substancialmente a relao entre EUA e Japo. "At agora, os papis de segurana dos dois pases eram muito claros - o Japo era um escudo protegendo-se apenas a si prprio e os Estados Unidos eram a espada", comparou Tetsuo Meda, professor de poltica da Universidade Internacional de Tquio, para a agncia Reuters. "Mas as declaraes de hoje [ontem] mostram que esses papis esto superados e que o Japo pode ser levado a fornecer algum tipo de espada."

Restrio - O texto da declarao evita cuidadosamente qualquer sugesto de que os Estados Unidos estejam pedindo ao Japo para revisar sua Constituio de 1947, compreensivelmente pacifista depois do passado militarista do pas, exacerbado durante a Segunda Guerra. A Carta japonesa probe o uso de meios militares para resolver disputas internacionais - o que vem sendo interpretado, h vrios e sucessivos governos, como uma proibio a integrar foras de paz em outros pases.

As boas vindas ao presidente americano, que viaja acompanhado da mulher, Hillary Clinton, foram dados pelo imperador Akihito e pela imperatriz Michiko. Clinton chegou a Tquio na tera-feira. Hoje de manh discursa no Parlamento, onde dever explicar o acordo assinado ontem, e  tarde visita uma sucursal da montadora de automveis americana Chrysler. Depois, parte para So Petersburgo e Moscou, onde participar da cpula do G-7 (grupo dos sete pases mais ricos). Durante a estadia de Clinton em Tquio, o trabalho da imprensa foi bastante restringido, para evitar o registro de situaes como o que envolveu o ento presidente George Bush, em 1992 - que vomitou durante uma recepo.

